Adaptações fisiológicas 1

Adaptações fisiológicas

Hipertrofia muscular

Um atleta, bem ou mal treinado, sujeito a cargas superiores àquelas que diariamente utiliza, vai sofrer uma adaptação muscular traduzida por um aumento de força e, eventualmente, por um aumento do volu­me. Esta hipertrofia das fibras musculares existentes deve-se a um aumento da captação de aminoácidos e subsequente síntese proteica. É atribuída a um maior número de ftlamentos de actina e de rniosina (miofilamentos), o que origina uma área transversal muscular maior, principalmente nas fases mais avançadas do treino. Parece ser a tensão. que se desenvolve dentro do músculo, quando sujeito a uma carga ele­vada, o estímulo para esta hipertrofia.

Em relação à existência ou não de hiperplasia (aumento do número das fibras musculares) a controvérsia é enorme. A maioria dos autores nega a sua existência, enquanto outros a afirmam, pelo menos em estu­dos efectuados em animais. Estes trabalhos que concluem pela existên­cia de hiperplasia muscular com o treino têm sido criticados pelos métodos adoptados. Entretanto a investigação continua e uma nova en­tidade começa a ser falada. São as células satélites situadas entre o sar­colema e a membrana basal da célula muscular. Dizem os autores que estas células poderiam contribuir para a regeneração e hipertrofia da cé­lula muscular. A sua transformação em rnioblastos e depois em miotú­bulos iria originar novas fibras (hiperplasia). São conclusões simpáticas e atraentes que o futuro esclarecerá melhor.

As características do estímulo que se faz sentir sobre determinado músculo vai determinar o tipo de fibra muscular que mais se vai desen­volver, ou seja, a hipertrofia muscular é relativamente específica para as fibras treinadas. Todos os estudos efectuados parecem indicar uma relação entre desenvolvimento das fibras musculares de contracção len­ta, e consequente aumento relativo da sua superfície, com o treino de endurance, de características aeróbicas. Existe também uma relação entre o desenvolvimento das fibras de contracção rápida, FT ou tipo II, com um inerente aumento da superfície relativa dentro do músculo, com o treino de força, anaeróbico, isométrico por exemplo. Há assim uma hi­pertrofia selectiva, com as alterações correspondentes das actividades enzimáticas, induzida pelo tipo de treino.

Os estudos referem que perante um treino de força, de característi­cas anaeróbicas, há desenvolvimento dos dois tipos de fibras (1 e lI), mas o aumento é maior nas do tipo lI. Desta hipertrofia selectiva pode­rão os atletas recolher dividendos. Se se pretender um maior desenvol­vimento das fibras tipo II, o treino deverá ser composto por um volume ba!xo e cargas altas, originando-se um grande ganho na força. Já o trei­no com volumes altos e cargas baixas irá desenvolver principalmente as fibras do tipo L Exceptuando-se as situações de treino para desportos específicos (o treino de força para o halterofilismo, por exemplo), o treino intervalado ou o treino com estações parece ser o mais adequado para o desenvolvimento global do músculo, porquanto estimula os dois tipos de fibras musculares. Assim, correndo um minuto alternadamente de­pressa e devagar, haverá também altemadamente a entrada em funcio­namento do metabolismo anaeróbico e do aeróbico, predominantes em cada um dos tipos de fibras musculares que naquela altura estão a ser estimulados.

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