Hipertrofia muscular
O treino de desenvolvimento muscular induz adaptações de acordo com as suas características. Poderá originar volumes musculares maiores ou menores, ganhos superiores em força ou em endurance, ou seja, ele deverá ser prescrito de acordo com a finalidade ou desporto em causa. Vejamos o caso do treino de potência, que utiliza cargas moderadas a altas e velocidades de contracção altas. Em atletas treinados, e provavelmente porque o tempo de activação é muito curto para induzir crescimento muscular, não se verifica hipertrofia muscular significativa. Hakkinen refere a utilidade desta conclusão indicando as vantagens que poderá ter nos desportos onde não se pretenda um aumento significativo da massa muscular, o mesmo é dizer do peso corporal, susceptível de interferir com o desempenho desportivo. Seria o caso dos ciclistas que têm necessidade de associar a um peso baixo uma capacidade de desenvolvimento de força grande. No treino de potência o ganho de força é menor do que quando se utilizam cargas grandes no exercício.
Os ganhos obtidos com o treino de desenvolvimento muscular são diferentes nos atletas treinados e nos atletas iniciadores. Aqueles têm mais dificuldades em melhorar o seu nível de força. Há estudos que assim o demonstram e num deles demonstra-se que os indivíduos com um nível de força baixo, com três meses de treino intenso, tiveram uma evolução bastante superior àquela observada nos atletas de elite, após seis meses de treino. Poder-se-á concluir, então, que os indivíduos não trei- : nados têm um potencial de desenvolvimento muscular bastante mais elevado, exigindo programas de treino menos elaborados, enquanto os atletas de elite necessitam de programas mais individualizados dado possuírem um potencial de crescimento menor.
Parece ser crença generalizada, e de acordo com os trabalhos efectuados, que os maiores aumentos na força muscular constatados na fase inicial do período de treino, em indivíduos previamente não treinados, durante as primeiras semanas de treino intenso são devidos a adaptações neurológicas, em que há uma activação neurológica máxima dos músculos sujeitos a treino. A conclusão de que seja a adaptação neuromuscular a responsável pelo aumento de força na fase inicial do período de treino surge devido à constatação de que o principal aumento da área transversal muscular (hipertrofia) acontece apenas numa fase mais tardia, e de que os pequenos aumentos que inicialmente se verificam não seriam suficientes para justificar o maior aumento da força que logo de início acontece. Há um estudo que refere um aumento inicial de força igual a II % , e posteriormente, na segunda fase do treino, de 6,6 %, enquanto a área transversal muscular apenas aumentou 3,1 % e 5,3% na primeira metade e na segunda metade, respectivamente. Este estudo acaba por constatar que há um maior aumento da força na fase inicial do programa de treino, enquanto o maior aumento da área transversal apenas acontece na segunda. Uma contribuição cada vez maior da hipertrofia muscular acompanhará um maior aumento da força durante as subsequentes semanas de treino. Parece que os músculos destreinados vão usar a sua reserva funcional e assim activarem totalmente os seus músculos. Já para os atletas os estudos referem que tal não acontece, e as conclusões indicam que se um atleta treinado utilizar cargas de 70%-80% do máximo haverá, inclusivamente, diminuição da activação neurológica. Estes trabalhos concluem que se forem utilizadas cargas correspondentes a 85%-90% da carga máxima ou superiores, a activação neurológica aumentará. São resultados de uma importância prática fundamental e deles se poderá concluir que o atleta treinado deverá periodicamente variar a sua carga de treino e/ou adoptar níveis progressivamente maiores para manter uma activação neurológica máxima. É esta uma das razões para a chamada «periodização dos treinos», escolhendo os chamados "picos de forma», neste caso em relação à força muscular, para os períodos mais necessários, mais competitivos ou mais decisivos.