Adaptações fisiológicas 2

Adaptações fisiológicas

Hipertrofia muscular

O treino de desenvolvimento muscular induz adaptações de acordo com as suas características. Poderá originar volumes musculares maio­res ou menores, ganhos superiores em força ou em endurance, ou seja, ele deverá ser prescrito de acordo com a finalidade ou desporto em causa. Vejamos o caso do treino de potência, que utiliza cargas moderadas a altas e velocidades de contracção altas. Em atletas treina­dos, e provavelmente porque o tempo de activação é muito curto para induzir crescimento muscular, não se verifica hipertrofia muscular sig­nificativa. Hakkinen refere a utilidade desta conclusão indicando as van­tagens que poderá ter nos desportos onde não se pretenda um aumento significativo da massa muscular, o mesmo é dizer do peso corporal, susceptível de interferir com o desempenho desportivo. Seria o caso dos ciclistas que têm necessidade de associar a um peso baixo uma capacidade de desenvolvimento de força grande. No treino de potência o ganho de força é menor do que quando se utilizam cargas grandes no exercício.

Os ganhos obtidos com o treino de desenvolvimento muscular são diferentes nos atletas treinados e nos atletas iniciadores. Aqueles têm mais dificuldades em melhorar o seu nível de força. Há estudos que as­sim o demonstram e num deles demonstra-se que os indivíduos com um nível de força baixo, com três meses de treino intenso, tiveram uma evo­lução bastante superior àquela observada nos atletas de elite, após seis meses de treino. Poder-se-á concluir, então, que os indivíduos não trei- : nados têm um potencial de desenvolvimento muscular bastante mais ele­vado, exigindo programas de treino menos elaborados, enquanto os atletas de elite necessitam de programas mais individualizados dado pos­suírem um potencial de crescimento menor.

Parece ser crença generalizada, e de acordo com os trabalhos efec­tuados, que os maiores aumentos na força muscular constatados na fase inicial do período de treino, em indivíduos previamente não treinados, durante as primeiras semanas de treino intenso são devidos a adapta­ções neurológicas, em que há uma activação neurológica máxima dos músculos sujeitos a treino. A conclusão de que seja a adaptação neuro­muscular a responsável pelo aumento de força na fase inicial do período de treino surge devido à constatação de que o principal aumento da área transversal muscular (hipertrofia) acontece apenas numa fase mais tar­dia, e de que os pequenos aumentos que inicialmente se verificam não seriam suficientes para justificar o maior aumento da força que logo de início acontece. Há um estudo que refere um aumento inicial de força igual a II % , e posteriormente, na segunda fase do treino, de 6,6 %, en­quanto a área transversal muscular apenas aumentou 3,1 % e 5,3% na primeira metade e na segunda metade, respectivamente. Este estudo acaba por constatar que há um maior aumento da força na fase inicial do pro­grama de treino, enquanto o maior aumento da área transversal apenas acontece na segunda. Uma contribuição cada vez maior da hipertrofia muscular acompanhará um maior aumento da força durante as subse­quentes semanas de treino. Parece que os músculos destreinados vão usar a sua reserva funcional e assim activarem totalmente os seus mús­culos. Já para os atletas os estudos referem que tal não acontece, e as conclusões indicam que se um atleta treinado utilizar cargas de 70%-80% do máximo haverá, inclusivamente, diminuição da activação neurológi­ca. Estes trabalhos concluem que se forem utilizadas cargas correspon­dentes a 85%-90% da carga máxima ou superiores, a activação neurológica aumentará. São resultados de uma importância prática fun­damental e deles se poderá concluir que o atleta treinado deverá perio­dicamente variar a sua carga de treino e/ou adoptar níveis progressivamente maiores para manter uma activação neurológica má­xima. É esta uma das razões para a chamada «periodização dos treinos», escolhendo os chamados "picos de forma», neste caso em relação à for­ça muscular, para os períodos mais necessários, mais competitivos ou mais decisivos.

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