Dimensões cardíacas
O treino de força, e principalmente os exercícios isométricos, impõem ao coração uma sobrecarga de pressão, ou seja, aumenta a dificuldade de saída do sangue proveniente dos ventrículos. Esta situação obriga a adaptações cardíacas no sentido de aumentar a sua força de contracção para vencer a resistência a jusante. O ganho no desenvolvimento de força faz-se a partir do aumento da massa cardíaca, ou seja, a partir da sua hipertrofia. Isto é constatado nos trabalhos de investigações desenvolvidos, os quais relatam um aumento da espessura da parede, quer da parede posterior ventricular esquerda quer do septo interventricular. Nos levantadores de peso, por exemplo, a relação septo/parede livre é superior a 1,3, valor superior ao normal e que poderá concluir por uma cardiomiopatia hipertr6fica, o que seria errado em princípio. Os atletas de musculação possuem corações normais, o que se constata por uma relação espessura da parede/superfície corporal normal. Trata-se de um aumento do tamanho cardíaco moderado, raramente ultrapassando os 500 gramas, manifestamente inferior aos valores que as doenças do miocárdio ou valvulares poderão atingir, em que o peso poderá chegar a 1000 gramas. O aumento de peso cardíaco não é exclusivo dos exerCÍcios isométricos, pois também se verifica nos exercícios dinâmicos.
A exemplo do que acontecia no músculo estriado esquelético não há evidência de hiperplasia neste fenómeno adaptativo. Existe hipertrofia das fibras com aumento seriado de unidades dos sarc6meros e aumento no diâmetro médio das fibras do miocárdio, segundo os autores. Estes fazem questão em realçar que o aumento na relação peso cardíaco/peso corporal possa acontecer devido à diminuição do peso corporal que acontece com qualquer actividade física regularmente praticada e também devido a uma melhoria na dieta, e não necessariamente a um aumento do diâmetro da fibra muscular.
Outro aspecto que importa referir são as dimensões das cavidades cardíacas. Apesar de haver alguns estudos contraditórios, os estudos ecográficos efectuados em indivíduos bem treinados mostram volumes e dimensões internas, diastólicas e sintólicas inalteráveis, quer em termos absolutos quer em termos relativos à superfície corporal. Esta situação limita o volume telediastólico esquerdo, obrigando a que o aumento do débito cardíaco que acontece com o esforço se faça à custa da elevação da tensão arterial, e daqui a importância e necessidade da hipertrofia muscular cardíaca.